Xeroderma pigmentoso

Genética da doença: 

Xeroderma pigmentoso (XP) é uma doença rara, com frequência estimada de 1 afetado para cada 200.000 indivíduos. Apresenta padrão de herança autossômico recessivo, e, portanto, para qualquer casal com uma criança afetada, o risco de que uma segunda criança venha a apresentar XP é de 25%.

Esta doença caracteriza-se por grande heterogeneidade clínica e é causada principalmente por mutações em genes envolvidos no reparo de DNA: XPA, ERCC3, XPC, ERCC2, DDB2, ERCC4 e ERCC5, que constituem respectivamente os grupos de complementação XP-A a XP-G. Além destes, a forma variante XP-V foi associada a mutações no gene POLH, envolvido na síntese de DNA.

Dependendo do gene afetado e do tipo de mutação, o quadro clínico pode ser mais leve ou grave. 

 

Quadro Clínico: 

Pacientes com XP apresentam alta sensibilidade de pele, sobretudo nas regiões expostas à luz solar. As lesões cutâneas estão presentes nos primeiros anos de vida e evoluem lenta e progressivamente. Os primeiros sinais clínicos são eritemas (vermelhidão da pele), descamação, hiperpigmentação difusa e lesões cutâneas que se assemelham a sardas. A evolução das lesões cutâneas leva, com grande frequência, ao aparecimento de ceratoses actínicas (lesões pré-malignas), seguidas de câncer de pele, mais comumente carcinomas (basocelulares e espinocelulares) e melanomas. Além de alterações oftalmológicas, em cerca de 20% dos pacientes pode ocorrer comprometimento neurológico, incluindo problemas de desenvolvimento.

 

Teste Genético: 

Não é realizado teste de rotina nestes pacientes. A identificação do gene afetado pode ser realizada, porém são testes que podem demorar vários meses. Estes testes requerem a realização de uma biópsia de pele para coleta de células. É fundamental o contato com o laboratório de reparo de DNA semanas antes desta biópsia (http://www.icb.usp.br/~mutagene/index_pt-br.php/Pesquisa).