Neoplasias malignas

Genética da doença: 

As estatísticas mostram que o tratamento do câncer representa um grande desafio médico, tornando-se uma importante questão para os sistemas públicos e privados de saúde. Nos EUA, o câncer é a principal causa de morte em indivíduos até 85 anos, ultrapassando as doenças cardiovasculares. Esta é uma tendência mundial, que será agravada em decorrência do envelhecimento populacional. No mundo, 22 milhões de pessoas vivem com câncer, seis milhões morrem e 10 milhões de novos casos são identificados a cada ano. No Brasil, são previstos mais de 500 mil novos casos de câncer ao ano. Os tipos de maior incidência incluem o câncer de mama, câncer de próstata, câncer de pulmão e câncer colo-retal. Apesar da evolução dos tratamentos, altos índices de mortalidade ainda persistem para algumas neoplasias malignas, como as de pulmão e de sistema nervoso central (SNC).

 

Tumores malignos do SNC
São exemplos de tumores de prognóstico clínico desfavorável. Dentre os tumores sólidos, representam o tipo mais frequente de câncer pediátrico. A maioria desses tumores é de origem neuroepitelial e a sua classificação, proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os divide em: tumores astrocísticos, tumores oligodendrogliais, gliomas mistos, tumores ependimários, tumores do plexo coroide, tumores do parênquima pineal, tumores embrionários (meduloblastomas e tumores neuroectodérmicos primitivos). Tumores primários de origem mesodérmica e tumores metastáticos também são frequentes no cérebro. Em adultos, os astrocitomas são os tumores primários malignos mais frequentes. Clinicamente, os astrocitomas são subdivididos em quatro graus de acordo com a OMS: astrocitoma pilocítico (grau I), astrocitoma difuso (grau II), astrocitoma anaplásico (grau III) e o glioblastoma (grau IV). Os tumores de grau I em geral crescem lentamente, não são infiltrantes e raramente são fatais. As taxas de sobrevida média de pacientes com astrocitomas de grau II e grau III são de cinco e três anos, respectivamente. Os tumores de grau IV (glioblastomas) são os mais frequentes e agressivos. A sobrevida média após o diagnóstico de glioblastoma é de 17 semanas sem tratamento. A sobrevida média após tratamento convencional é ainda pequena, inferior a 16 meses.

 

Desafios terapêuticos
Apesar dos avanços obtidos na área de oncologia, as morbidades e taxas de mortalidade relacionadas à ocorrência de certos tipos de tumores, como os do SNC, continuam sendo muito severas. De modo geral, o tratamento padrão disponível para a maioria dos cânceres agressivos inclui cirurgia, complementada em certos casos por quimioterapia e/ou radioterapia. Em determinados casos, no entanto, não se tem observado melhoras significativas no prognóstico de pacientes submetidos a esse tipo de tratamento e recidivas tumorais são muito comuns. A melhoria da qualidade de vida do paciente com câncer depende do desenvolvimento de medicamentos mais eficazes e menos tóxicos. Nessa linha, um dos principais exemplos atuais consiste no uso de anticorpos monoclonais (mAbs) dirigidos a antígenos tumorais específicos, que tem se tornado uma importante alternativa terapêutica para o tratamento de certos tipos de câncer de alta incidência. Anticorpos são classicamente empregados para expor células tumorais ao sistema imunológico de modo a obter uma resposta imune mediada por dois mecanismos principais, citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC) e citotoxicidade dependente de complemento (CDC). O mecanismo de ação de mAbs também inclui o bloqueio de vias de sinalização bioquímica relevantes ao desenvolvimento tumoral. Esse é o caso do trastuzumab (Herceptin), um dos primeiros mAbs aprovados para tratamento do câncer de mama, que reconhece o receptor tipo 2 do fator de crescimento epidermal humano (HER-2), inibindo dessa maneira a proliferação de células tumorais. Um exemplo mais recente é Bevacizumab (Avastin), que inibe a angiogênese através do bloqueio do fator de crescimento endotelial vascular, aprovado para o tratamento de câncer colo-retal, câncer de pulmão, câncer de mama metastático negativo para HER-2 e glioblastoma.

 

Pesquisa e desenvolvimento
O Centro de Estudos do Genoma Humano desenvolve pesquisa científica com enfoque nas bases moleculares e celulares do câncer. O objetivo geral é avançar na compreensão da fisiopatologia da doença, tendo como potencial aplicação desse conhecimento o desenvolvimento de novas abordagens diagnósticas e terapêuticas