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11.05.2015

No 22/04/2015 divulgaram nas mídias sociais  que estaria ocorrendo uma aula com conteúdo racista numa disciplina do Instituto de Biociências. A aula em questão era “English dor Science”, disciplina de pós-graduação,  ministrada em inglês pelo professor Peter Pearson.

Uma nota de esclarecimento oficial foi prontamente publicada no site do IB, mas como tema é delicado as distorções e interpretações equivocadas continuaram, como a matéria escrita pelo professor Roberto Romano no último dia 10 de maio.

Em razão disso, o Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco, por meio de sua diretora  Mayana Zatz e do chefe do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do IB, Luis. E. S. Netto, enviaram as cartas (abaixo reproduzidas)  ao Estadão  em resposta ao  professor  Romano.  

 

AULA  MAGNA DE PRECONCEITO NA USP

Admiro muito o Professor Roberto Romano mas ficamos chocados ao ler sua coluna no Estadão de domingo. Infelizmente ele ouviu uma versão totalmente distorcida dos fatos. 

O Professor Peter Pearson, é um cientista reconhecido internacionalmente com inúmeras publicações científicas. Ele ocupou posições de grande destaque na John Hopkins University , nos Estados Unidos e nas Universidades de Leiden e Utrech, na Holanda. Ele jamais teria sido aceito nessas posições se fosse racista.   Ele se mudou para o Brasil há cerca de 10 anos e é hoje  um dos colaboradores no Centro do Genoma e células-tronco da USP.   O Prof. Pearson  defende o inglês na pós-graduação , o que é apoiado por todos nós e que vai ao encontro da política de internacionalização das universidades brasileiras . Durante seu curso,  ele discute semanalmente artigos científicos com os alunos , sem receber nada por isso. O inglês como língua oficial na pós-graduação é uma prática que acontece em inúmeros países do primeiro mundo, como por exemplo na Holanda e países nórdicos.

Apesar de não estarmos presentes durante a aula que provocou  o incidente podemos afirmar com toda certeza  que :

1)O Dr. Pearson, como todos nós, geneticistas , é absolutamente contra as declarações racistas de Watson.  Justamente por isso, estes artigos polêmicos são discutidos ( e eu já o fiz várias vezes em minhas aulas de ética)  para chamar a atenção dos alunos e provocar um debate mostrando cientificamente o absurdo das declarações de James Watson.

2) "Surpreendido pelo coletivo, o professor começou a falar em inglês" foi declarado por um dos alunos  que se sentiu discriminado. Isso comprova a distorção dos fatos. O Dr. Pearson, apesar de estar há 10 anos no Brasil só se comunica conosco em inglês porque ele fala pouquíssimo português. Será que se os alunos tivessem um maior domínio do inglês, como defende o Prof. Pearson, essa interpretação errada de “racismo” por parte de alguns alunos e todo esse incidente não teriam sido evitados?

Mayana Zatz
Professora titular de genética
Diretora-Centro de Estudos do Genoma Humano
Instituto de Biociências
Universidade de São Paulo
Email:mayazatz@usp.br

 

 

Prezado Editor,

Ficamos surpresos ao ler a matéria do Dr. Roberto Romano publicada no dia 10 de março de 2015, no Estado de São Paulo, pelo respeitado professor da UNICAMP, pois o incidente já havia sido esclarecido, conforme nota publicada no G1 (http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/04/aula-na-usp-sobre-racismo-e...), aonde foi apresentada também a versão do Dr. Pearson, além da versão dos ativistas.  
Infelizmente houve uma grande distorção acerca do que aconteceu na sala de aula bem como um total desconhecimento acerca de quem é o Prof. Peter Pearson. Dessa forma, cabe informar:

1 – O Dr. Peter Pearson NÃO é a favor do conteúdo do artigo “James Watson's most inconvenient truth: race realism and the moralistic fallacy” (Med Hypotheses. 2008 Nov;71(5):629-40.) como leva a crer a matéria do Dr. Romano.

2 – A disciplina BIO-5788 “English for Science” ministrada pelo Dr. Pearson prevê debates EM INGLÊS de temas polêmicos como forma de motivar alunos de pós-graduação no uso da língua inglesa. Dessa forma, todas as discussões da disciplina são em inglês.

Portanto, ocorreu uma grande deturpação aqui. Ativistas em diferentes fóruns tem mencionado que o Dr. Pearson mudou a língua da aula para o inglês para os alunos não entenderem, mas a aula é em inglês!

3 – O Dr. Romano provavelmente não sabia que ativistas entraram na sala de aula, querendo de forma autoritária impor uma discussão em português, quando o objetivo do curso é o treinamento de habilidades na língua inglesa.

4 – Diferentemente do noticiado pelo Dr. Romano que o Dr. Pearson não teria informado que Watson perdeu o cargo de conselheiro da Cold Spring Harbor Laboratory, o mesmo é informado logo no inicio do artigo científico discutido com os alunos. 

5 - O ônus da prova cabe a quem acusa. Portanto, o Dr. Peter Lee Pearson é inocente até prova em contrário. Ao longo dos aproximadamente dez anos de atividades acadêmicas realizadas pelo Dr. Pearson em nosso Departamento nunca observamos nenhuma evidencia de racismo ou qualquer outra forma de preconceito. Ao contrário, o Dr. Pearson inclusive auxiliou alunos de pós-graduação afrodescendentes a conseguirem estágios de pós-doutoramento no exterior, ao dar suporte na elaboração de CVs e cartas redigidas em inglês.  Além disso, a disciplina BIO-5788 vem sendo ministrada há vários anos e mesmo contando com a presença de afrodescendentes, nenhum incidente relacionado a racismo foi jamais relatado. Inclusive, até onde pudemos apurar a grande maioria dos alunos da atual turma de 2015 têm se posicionado favoravelmente ao Dr. Pearson, mesmo em fóruns de apoio a movimentos negros. 

6 – O artigo cientifico “James Watson's most inconvenient truth: race realism and the moralistic fallacy” está livremente disponível para acesso de qualquer individuo, inclusive no portal capes e no pubmed.  Portanto, esse conteúdo pode ser utilizado por qualquer um. Ignorar o artigo em questão não parece ser a melhor solução. Em contraste, a discussão clara e ampla dessas ideias municia todo indivíduo contra ideias racistas.

Acreditamos que a melhor forma de combater qualquer forma de preconceito ou pré-julgamentos é a livre manifestação e debate de ideias. Nesse sentido, atitudes de força repetidamente adotadas por ativistas não só na disciplina do Dr. Pearson, não parecem combinar com um ambiente democrático e tolerante que deve prosperar em universidades como a USP.

Luis E. S. Netto
Professor Titular 
Departamento de Genética e Biologia Evolutiva 
Instituto Biociencias USP

 

04.05.2015

Há cerca de um ano o desafio do balde de gelo chamou a atenção do mundo para o ELA - esclerose lateral amiotrófica.  Ele  consistia em jogar um balde de gelo ou doar US$ 100 a ALS Association, organização sem fins lucrativos que ajuda na pesquisa do ELA. Como  membro da Aliança Internacional (ALS/MND Alliance), desde 2008, o Instituto Paulo Gontijo torna-se participante oficial do projeto MinE, consórcio internacional com o objetivo de verificar todo o genoma de pelo menos 15 mil pacientes  em todo o mundo.  . Uma parte do trabalho será feito  nos EUA e outra parte nos países que enviarem as amostras. O IPG conta com a associação do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Celulas-Tronco será responsável pela analise no Brasil. 

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neuromuscular que se caracteriza pela lesão degenerativa dos neurônios motores.  Existe uma perda de neurônios, massa muscular generalizada atingindo os movimentos e a qualidade de vida. 
Leia no jornal O Globo, edição de 30/04/2015, a publicação sobre esta notícia.  

 

Saiba mais:  Instituto Paulo Gontijo será representante brasileiro do Project Mine

09.04.2015

No  dia 2 de abril comemora-se o dia Mundial da Conscientização do Autismo, data decretada pela ONU (Organizações das Nações Unidas) em 2008. Desde então as campanhas de conscientização  tem chamado a atenção para o transtorno.

Para a data  ser lembrada no Brasil,  o país tem realizado eventos neste período, todos eles para  chamar a atenção para o autismo, como a iluminação dos principais monumentos de azul (cor definida para o autismo).  Neste ano os  monumentos da cidade de São Paulo azulados pela foram o Viaduto do Chá, Ponte Estaiada e Monumento às Bandeiras

Estima-se que  o Brasil tenha mais de  dois milhões de autistas, muitos deles ainda sem um diagnóstico. O transtorno do espectro autista (nome oficial), de um modo geral, ainda possui causas desconhecidas, mas existem várias evidências que o autismo dependa de componentes genéticos para sua manifestação.

O autismo foi descrito pela primeira vez por Leo Kanner,  em 1943, por um  artigo publicado na revista Nervous Children, com o título  “Autistic disturbances of affective contact". No texto ele descrevia o comportamento em comum de onze crianças.

A revista Espaço Aberto, edição 170, trouxe a a reportagem “Um retrato do autismo no Brasil”. Entre os entrevistados, está a professora titular do IB, Maria Rita Passos Bueno. Ela é a maior especialista em genética de autismo do país e  coordena o núcleo voltado a autismo do Centro de Pesquisa sobre Genoma Humano e Células-Tronco . Clique AQUI para ler a reportagem da revista da USP Espaço Aberto.

 

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