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23.12.2015

ATIVO E OPERANTE

Mayana Zatz

Mayana Zatz é professora de Genética do Instituto de Biociências da USP e diretora do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL)
 

 

Estender para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória aos servidores públicos é fazer jus à vitalidade do idoso, afirma pesquisadora
Enfim uma boa notícia: o Congresso derrubou o veto ao projeto que adia a aposentadoria compulsória de servidores públicos.

Quando aprovaram a aposentadoria compulsória para os ministros do STF aos 75 anos, o senador José Serra apresentou um projeto de lei estendendo essa opção a todos os servidores públicos que assim o desejassem. Entretanto, surpreendentemente, ele foi vetado pela presidenta Dilma Rousseff. Segundo matéria escrita pelo senador para o Estado na época do veto (Bengalada no Bom Senso, 12/11), o projeto, se aprovado, beneficiaria os servidores públicos, o governo e o País.

O objetivo era o de ampliar os efeitos da chamada “PEC da Bengala”, iniciativa do senador Pedro Simon aprovada pelo Senado em 2006 e ratificada pela Câmara dos Deputados em maio de 2015. Essa emenda aumentou de 70 para 75 anos a idade a aposentadoria compulsória dos ministros do STF, dos Tribunais Superiores e do Tribunal de Contas da União. No mesmo dia da promulgação da emenda Simon, Serra apresentou o projeto de lei complementar prevendo o aumento da idade para aposentadoria compulsória para todos os servidores públicos. O projeto foi aprovado pela Câmara e pelo Senado e esperava-se somente a sanção presidencial para que fosse implementado. Vai ser tranquilo, ditava o bom senso. Mas no dia 23 de outubro a presidente Dilma vetou o projeto, com o argumento de que “o tema é prerrogativa da Presidência da República e não do Congresso, por isso a lei contraria a Constituição Federal”.

A única explicação plausível é a de que a presidente Dilma não havia entendido a proposta. Só poderia ser isso. Será que havia entendido que trabalhar até os 75 anos é uma escolha, e não uma obrigação? Que, com o aumento da expectativa de vida, cada vez teremos mais pessoas com condições, energia e vontade de trabalhar após os 70, 80 e até mesmo 90 anos? Que o custo para o Estado sustentar uma pessoa produtiva em casa é o mesmo de mantê-la ativa e contribuindo com a força do trabalho e o crescimento do País? Que não se trata de estender a idade de aposentadoria, mas ao contrário permitir aos que não querem se aposentar a possibilidade de continuar trabalhando? Que isso geraria uma enorme economia para o Estado? Qual seria a lógica de permitir que um parlamentar possa exercer sua profissão e ser inclusive presidente da República, sem limite de idade, e proibir um professor, um cientista ou um médico de continuar na ativa depois dos 70 anos, se assim fosse o seu desejo?

Felizmente, o bom senso prevaleceu. No dia 10 de dezembro, o veto foi derrubado com grande maioria pelo Senado (64 votos a favor) e pelo Congresso (350 votos a favor) .

De acordo com o cientista francês Laurent Alexandre, que escreveu o livro La Mort de la Mort (A morte da morte), as novas tecnologias (genômica, nanotecnologia, células-tronco, reconstrução de órgãos, etc.) vão permitir uma sobrevida muito longa. Ele defende que o homem que viverá mil anos já nasceu.

Exageros à parte, o fato é que a população mundial está envelhecendo. E a nossa, também. Felizmente. Viver mais de 100 anos, e com saúde, será cada vez mais comum. E o aumento da expectativa de vida significa que será necessário trabalhar um número maior de anos para que não haja redução no valor da aposentadoria. Além disso, como a taxa de natalidade vem diminuindo ano a ano, a população não se repõe. Não teremos jovens suficientes para sustentar uma aposentadoria prolongada da população mais idosa.

Em colaboração com a Faculdade de Saúde Pública da USP e o Instituto de Pesquisas do Hospital Albert Einstein, coordeno um projeto de pesquisas que denominamos 80mais. O objetivo é analisar o genoma de pessoas saudáveis com mais de 80 anos e entender quanto da sua vitalidade depende dos seus genes e quanto depende do ambiente (hábitos alimentares, atividade física, intelectual, etc). Esse projeto me deu a oportunidade de conhecer inúmeras pessoas com mais de 80, 90 e até centenários lúcidos, ativos e dispostos a trabalhar. Eles não têm nenhuma intenção de se aposentar. Longe disso. Vários são conhecidos de todos: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Antonio Delfim Neto, o jurista Hélio Bicudo, o médico-cirurgião Silvano Raia, só para citar alguns. Imagine se essas pessoas fossem tolhidas e impedidas de trabalhar ao completarem 70 anos? Obrigadas a ficar em casa, recebendo o mesmo salário que as pessoas na ativa, mas sem poder contribuir para o desenvolvimento do País? Ironicamente, nenhum deles usa bengala. Sugiro que, após a aprovação da chamada PEC da Bengala para todos os servidores públicos, uma nova emenda a ser aprovada nos próximos anos seja denominada de 80mais. Ela retratará melhor o perfil dessa nova geração de pessoas saudáveis após os 80, dispostas a continuar trabalhando sem limite de idade.

 

 

 

Texto reproduzido do jornal Estadão, edição de 14/12/2015

Link de acesso aqui.

                                            

16.12.2015

O que duas pesquisadoras do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano têm a ver com o Museu do Amanhã?

Com inauguração marcada para os dias 18 e 19 de dezembro de 2015, o Museu do Amanhã, localizado na cidade do Rio de Janeiro, tem a proposta de fazer com que o público tenha contato com o passado e o presente e possa imaginar todas as possibilidade de futuro para os próximos 50 anos,  tudo por meio de instalações  interativas, jogos e ambientes audiovisuais imersivos.

Ele será o primeiro museu de ciência atualizável do Brasil. Para conceber os conteúdos para tantos temas variados nas áreas de ciência e tecnologia, os organizadores buscaram reunir uma equipe com mais de 30 consultores brasileiros e internacionais de diversas áreas, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Massachusetts Institute of Techonology (MIT), e Universidade de São Paulo, esta representada pelas duas pesquisadoras do CEGH-CEL, Eliana Beluzzo Denssen, responsável pela Educação e Difusão, e Mayana Zatz, coodenadora do Centro. Elas são consultoras de conteúdo cosmos e terra.  O Museu do Amanhã ainda tem Terra, Antropoceno e Amanhã e Nós.   

O Museu do Amanhã está instalado num prédio desenhado pelo espanhol Santiago Calatrava, um dos arquitetos mais respeitados do mundo. As obras da fundação do Museu começaram em 2010 e a construção, em novembro de 2011. Ele foi um presente para o Rio em razão das Olimpíadas de 2016.

Saiba mais:

http://museudoamanha.org.br/

https://www.youtube.com/watch?v=akW1eEu1VG8

https://www.youtube.com/watch?v=xhMQI3Nmw4U

16.11.2015

Dois cães chamados Ringo e Suflair,  da raça Golden Retriever, foram diagnosticados com distrofia muscular desde que eram filhotes. Ao longo da vida, porém, não tiveram quase nenhum sintoma da doença.  Eles eram tratados pela equipe de pesquisa da geneticista Mayana Zatz, também coordenadora do Centro de Pesquisa sobre Genoma Humano e Células-Tronco.

Foram mais de 8 anos investigando o que protegia a musculatura desses animais, até os pesquisadores encontraram o gene Jagged1. Nos cães Ringo e Suflair, esse gene está mais ativado e produz mais proteínas que o normal, desencadeando  um mecanismo que ajuda a mascarar a distrofia.

Saiba mais sobre essa pesquisa acessando os links:
 

http://www.cell.com/cell/abstract/S0092-8674(15)01405-1
 

http://www.nature.com/news/puppy-bred-to-have-muscular-dystrophy-saved-b...

 
http://revistapesquisa.fapesp.br/2015/11/12/novos-achados-geneticos/
 
 
http://sites.usp.br/distrofia/

 

 

mrcm 16/11/2015

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