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24.03.2015

Não é a cura, a reabilitação  dos movimentos em que está envolvida a vida e o filme de Stephen. O centro de tudo é o tempo. 

 

 

A Teoria de Tudo

*Isabela Anequini

 

O emocionante filme sobre a vida de Stephen Hawking,  físico e cosmólogo britânico, extrapola a comoção pela história da sua doença ou pelos envolvimentos amorosos, encontros e desencontros.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença progressiva, crônico-degenerativa, sem cura, na qual há perda progressiva dos movimentos, iniciando pelas mãos e pés e progredindo até atingir a musculatura respiratória, a fala e a capacidade de engolir alimentos. Poucas funções são preservadas, como os movimentos dos olhos, o controle urinário, a função sexual e a capacidade de raciocinar.

No filme, a interpretação de Eddie Redmayne é perfeita. Os objetos caindo das mãos, os tropeços, a escrita tremida, a alteração gradual da fala, a perda dos movimentos, a fraqueza em sustentar a cabeça, os engasgos, a dependência de terceiros para realizar atividades simples e até os pequenos tremores são sinais legítimos de uma doença devastadora que é culminada com o diagnóstico e o prognóstico fatídico de uma sobrevida média de dois anos.

A doença é, exatamente, um “banho de água fria” como mostrou a campanha “O desafio do balde de gelo”, proposta no ano passado pela ALS Association (uma organização americana sem fins lucrativos para pesquisa da esclerose lateral amiotrófica). Tal campanha foi replicada no mundo inteiro, inclusive no Brasil, infelizmente por vezes de maneira inconsciente tomada apenas pelo impulso das redes sociais.

Por trás da genialidade de um cientista, Hawking, que desenvolveu os teoremas de singularidade e a radiação e que estava determinado a provar tudo com uma única equação, está a singularidade de alguém que combate a doença de uma maneira um tanto quanto incomum. Não é a busca pela cura, pela reabilitação ou pelos retornos dos movimentos em que está envolvida a vida e o filme de Stephen. O centro de tudo é o Tempo. Justamente Hawking, que foi fadado a não ter mais que dois anos de vida; aceitou o desafio de escrever Uma Breve História do Tempo, um best-seller de conteúdo científico, mas pleno de significados.

O cientista desenvolveu a teoria moderna acerca dos buracos negros e depois a colocou em cheque confirmando a dificuldade de previsão do tempo na Terra e afirmando que “[...] O desejo profundo da humanidade pelo conhecimento é justificativa suficiente para a nossa busca contínua”. Mais que a Teoria de Tudo, é a Teoria da Vida.

 
Isabela Anequini é fisioterapeuta do Centro de Estudos do Genoma Humano/USP.

 

Fonte: Instituto de Psicanálise Lacaniana
http://www.ipla.com.br/editorias/saude/a-teoria-de-tudo.html

 

24/03/2015

 

 

12.03.2015

Conheça  o interessante resultado da pesquisa realizada sobre o projeto Semear Ciência: Diferentes, mas Semelhantes.

 

Diferentes, mas semelhantes

 

Griselidis Âchoa *

O Centro de Pesquisa do Genoma Humano e Células-tronco da USP, através de seu programa de educação, denominado “Semear Ciência”, que visa a divulgar temas da Genética para o público, elaborou e distribuiu três modelos de cartazes em várias linhas do Metro de São Paulo.

Estes cartazes apontam o grau de semelhança do material genético entre os seres vivos, apresentando a porcentagem de DNA em mamífero, inseto e vegetal, em relação ao nosso DNA.

Os dirigentes da Clínica de Psicanálise do Genoma propuseram-me, enquanto participante desta Clínica, pesquisar qual seria o impacto causado nos usuários do metrô por este tipo de informação.

Os cartazes encontram-se afixados na parte interna dos trens, na maioria das vezes sobre o assento dedicado às pessoas com necessidades especiais. Em cada vagão existe apenas um cartaz da série de três, que foi editada.

A pesquisa foi feita com usuários de duas linhas do metrô: A linha 1 – azul que, tem 23 estações e vai do Jabaquara ao Tucuruvi, e a linha 2 –verde, que tem 14 estações e vai da Vila Prudente até a Vila Madalena.

Percorri cada uma das linha de ponta a ponta várias vezes. A escolha das pessoas foi feita aleatoriamente, entre as que se sentaram ou estavam próximas ao cartaz e, como premissa, no momento de sua entrada no vagão, para eu dispor de tempo para a entrevista.

A abordagem foi simples – podemos conversar um minuto?

Foram entrevistadas 45 pessoas na linha verde e 30 pessoas na linha azul. Na linha verde, foram feitas 15 entrevistas para cada modelo de cartaz e, na linha azul, 10 para cada um.

A amostra se dividiu igualmente entre homens e mulheres, todos adultos. Não perguntei o nome das pessoas somente a idade e a profissão. A faixa etária pesquisada foi de 18 a 59 anos.

As perguntas foram: Você viu os cartazes sobre o DNA afixados no trens?; O que você sentiu (qual foi o impacto, o que achou) diante desta informação ?;Gostaria de saber mais?; Entraria no site, que está na parte inferior do cartaz?; Você tem algum interesse pela ciência?

Vamos aos resultados da maratona realizada, em um sábado chuvoso.

Foram abordadas 76 pessoas, sendo que somente um jovem chinês se recusou a falar comigo alegando estar trabalhando ao digitar no Iphone. Nenhum dos entrevistado se limitou a responder apenas às perguntas, todos quiseram ou saber mais sobre o programa ou contar algo de sua vida pessoal.

Várias pessoas pediram telefone ou e-mail, ou me passaram seus telefones a título de “podemos falar mais sobre isso?, ou então “eu conheço uma pessoa que teria muito interesse neste assunto, posso passar seu telefone para ela”.

Dentre os entrevistados, cerca de 80% exerciam profissões tais como: porteiro, policial, auxiliar de limpeza, faxineiro em edifícios, e também encontrei várias pessoas que estavam desempregadas. Entre os mais jovens, foram dez estudantes de nível médio e cinco universitários, sendo dois da área da saúde (enfermagem e fisioterapia). Em toda a amostra, 96% não havia visto os cartazes ou não lembravam se algum deles tenha lhes chamado a atenção.

Para mim, foi uma grande oportunidade poder observar a reação das pessoas, ao vivo e a cores, diante do primeiro contato com as informações genéticas. As reações a cada tipo de cartaz, foram bem diferentes, resumindo: macaco – eu já sabia!; mosca – nossa, é mesmo?; arroz – não acredito, você está de brincadeira!

Na pesquisa, fui à procura de significantes nas respostas das pessoas e os coloquei em ordem decrescente de ocorrência:

- não me interessa - 50%
- interessante - 20%
- estranho – 8%
- surpreendente- 7 %
- curioso - 6%
- normal - 5%
- preocupante - 3 %
- mentira – 1%

Dentre as pessoas que consideraram o assunto interessante, quando perguntadas se entrariam no site do Genoma, apresentado na parte inferior de cada cartaz, para obter mais informações, cerca de 50% responderam que sim e logo anotavam o endereço. Um rapaz, estudante de informática, me falou que o metrô não é a média certa para transmissão deste tipo de conhecimento e que a divulgação seria mais eficiente pelo facebook.

Nenhum dos entrevistados parecia desconhecer o termo “DNA”,

- Eu sei o que é, vi na novela !!! ... serve para provar a paternidade dos bebês!

Fui, também, surpreendida por algumas frases no mínimo curiosas:

- Mosca não devia ter DNA, isto é coisa de gente, Deus não ia fazer uma coisa destas!

- A mosca é muito pequena para ter DNA, não cabe dentro dela!

- Cientista estuda cada coisa nojenta!

- Eu não tenho DNA igual de mosca, eu só sou gente e não bicho!

- Macaco tudo bem, mas mosca, nem pensar!

- Será que é por isso que eu gosto tanto de feijão ? (se referindo aos 11% do DNA no arroz)

Foi muito bom fazer esta pesquisa. Percebi o quanto as pessoas são receptivas e abertas ao diálogo, ninguém, além do chinês, resistiu à conversar comigo, todos, de um modo ou de outro, falaram sobre sua vida pessoal, a maioria me estendeu a mão ao se despedir.

Ninguém demonstrou contrariedade ao ser abordado no metrô e desviar o olhar da telinha do celular, para conversar com uma desconhecida, sobre macacos, moscas e grãos de arroz, afinal, somos todos diferentes, mas semelhantes!

 

(*) Griseldis Achôa é doutora em Engenharia pela Escola Politécnica da USP. Psicanalista, membro do Corpo de Formação do IPLA e pesquisadora na Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano - USP

  

Fonte: Instituto de Psicanálise Lacaniana

http://www.ipla.com.br/editorias/saude/diferentes-mas-semelhantes.html

 

 

24/03/2015

 

04.03.2015

Artigo da Revista Fapesp  trata sobre os kits da Coleção  "Aventuras na Ciência".

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