Surdez Hereditária

A surdez pode ser causada por fatores ambientais ou hereditários. No Brasil, estima-se que em cada 1000 crianças nascidas, 4 apresentam perda auditiva.

A surdez hereditária é classificada como sindrômica quando o indivíduo manifesta, além da perda auditiva, outros sinais ou sintomas e representa, aproximadamente, 30% do total de casos. Cerca 70% a 80% dos pacientes são classificados como não-sindrômicos, ou seja, apresentam apenas surdez, sem outros sinais ou sintomas.

Mutações em diversos genes já foram associadas a este quadro clínico.

Surdez hereditária não-sindrômica

Genética da Doença

As perdas auditivas hereditárias podem ter mecanismo de herança autossômico recessivo, autossômico dominante, ligado ao cromossomo X ou mitocondrial.

Dos casos de surdez hereditária não-sindrômica, 80% apresentam herança autossômica recessiva, ou seja, o risco de recorrência para uma futura criança do casal é de 25%. Entre estes, cerca de 50% apresentam mutações nos genes GJB2 (Conexina 26) ou GJB6 (Conexina 30).

A mutação mais frequente no gene GJB2 é chamada de c.35delG. Dada a sua alta frequência na população, esta mutação é a primeira que deve ser investigada em casos de surdez sem causa aparente, seguida da investigação de outras alterações nos genes GJB2 e GJB6.

A surdez de herança autossômica dominante é responsável por cerca de 10% a 20% enquanto as que apresentam padrão de herança ligado ao cromossomo X respondem por 2% a 3% de todos os casos hereditários.

Mutações em genes do DNA mitocondrial já foram identificadas como sendo causadoras de surdez. Estima-se que o padrão de herança mitocondrial pode ter frequência superior a 1%. O estudo do DNA mitocondrial de diversos indivíduos com surdez causada pelo uso de aminoglicosídeos revelou a mutação m.1555A>G, no gene MT-RNR1 (12S rRNA), que parece ser a mutação mitocondrial mais frequentemente associada à perda auditiva. A identificação desta mutação em um indivíduo surdo indica que outros indivíduos da mesma família podem estar em risco de perder a audição em virtude do uso de aminoglicosídeos.

Quadro Clínico

A surdez é caracterizada por perda da capacidade auditiva, que pode ser leve (dificuldade para entender sussurros) até profunda (incapacidade de ouvir mesmo sons muito altos).

Consulta / Contato

Responsável pelo serviço: Dra. Regina Célia Mingroni Netto.

As consultas devem ser agendadas pelo telefone (11) 3091.7478.

Teste Genético

O CEGH oferece um painel para identificação das seguintes alterações:

- c.35delG (p.Gly12Valfs*2) – gene GJB2 (NM_004004.5)

- c.167delT (p.Leu56Argfs*26) – gene GJB2 (NM_004004.5)

- del(GJB6–D13S1830) – gene GJB6 (NM_006783.4)

- del(GJB6–D13S1854) – gene GJB6 (NM_006783.4)

- m.1555A>G – gene MT-RNR1 (12S rRNA)

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